História

"Em 1418 a ilha do Porto Santo foi redescoberta por João Gonçalves Zarco e por Tristão Vaz Teixeira. No ano seguinte estes navegadores, acompanhados por Bartolomeu Perestrelo, chegam à ilha da Madeira. É hoje consensual que a data do seu descobrimento é anterior, pois as ilhas já eram citadas em 1350 no "Libro del Conoscimiento, obra de um frade espanhol na qual as ilhas são referidas pelo nome de Leiname, Diserta e Puerto Santo e representada em mapas italianos e catalães".

"Tendo sido notadas as potencialidades das ilhas, bem como a importância estratégica destas, iniciou-se por volta de 1425 a colonização, que terá sido uma iniciativa do Infante D. Henrique. A partir de 1440 estabelece-se o regime das capitanias com a investidura de Tristão Vaz Teixeira como capitão-donatário da capitania de Machico; seis anos mais tarde Bartolomeu Perestrelo torna-se capitão-donatário do Porto Santo e em 1450 Zarco é investido capitão-donatário da capitania do Funchal"

Os três capitães-donatários levaram, na primeira viagem, as respectivas famílias, um pequeno grupo de pessoas da pequena nobreza, gente de condições modestas e alguns antigos presos do reino. Para auferirem de condições mínimas para o desenvolvimento da agricultura, tiveram que desbastar uma parte da densa floresta de laurissilva e construir um grande número de canalizações de água (levadas), visto que numa parte da ilha havia água em excesso enquanto na outra esta escasseava. Nos primeiros tempos, o peixe constituía o principal meio de subsistência dos povoadores assim como os produtos horto-frutícolas. A primeira actividade agrícola local com grande relevo foi a cultura cerealífera do trigo. Inicialmente, os colonizadores produziam trigo para a sua própria subsistência mas, mais tarde, este passou a ser um produto de exportação para o reino".

"No entanto, inexplicavelmente, a produção cerealífera entrou em queda. Para superar a crise o infante D. Henrique resolveu mandar plantar na ilha da Madeira a cana-de-açúcar - rara na Europa e, por isso, considerada especiaria -, promovendo, para isso, a vinda, da Sicília, da soca da primeira planta e dos técnicos especializados nesta cultura. A produção de açúcar atraiu à ilha comerciantes judeus, genoveses e portugueses. A cultura da cana foi por excelência um dinamizador da economia insular. A produção da cultura sacarina cresceu de tal forma que surgiu uma grande necessidade de mão-de-obra. Para satisfazer esta carência foram levados para a ilha escravos originários das Canárias, de Marrocos, Mauritânia e, mais tarde, de outras zonas de África. A cultura da cana e a indústria da produção de açúcar desenvolver-se-iam até ao século XVII, seguindo-se a indústria da transformação - as alçapremas - fazendo a extracção do suco para, depois, vir a fazer-se o recozer dos meles como então se chamava à fase da refinação. A época do açúcar foi a de maior desenvolvimento económico e cultural da Madeira, permitindo um património artístico e arquitectónico do qual os Madeirenses muito se orgulham. É disso exemplo a colecção de pinturas flamengas provenientes de Bruges e Antuérpia, que fazem parte do património do Museu de Arte Sacra. Entre os edifícios construídos com os fundos provenientes dessa    indústria, podemos referir a Sé do Funchal, a Igreja e o Convento de Santa Clara, as Igrejas da Calheta, Santa Cruz e Machico, as capelas dos Reis Magos, da Encarnação e do Corpo Santo".

"As últimas décadas do século XVI marcam o início da decadência da produção do açúcar, em virtude da concorrência do açúcar Brasileiro e das doenças que afectaram os canaviais. A crise arrastou-se pelo século XVII, apesar do Porto do Funchal ter mantido a sua importância no tráfego comercial para a Europa, Índia, América e África".

"Em 1580, a Madeira, tal como resto do território nacional, ficaram sujeitos ao domínio de Castela. A Restauração da independência, em 1640, foi seguida pelo casamento da Infanta D. Catarina de Bragança com Carlos II de Inglaterra. Este facto veio favorecer a exportação do Vinho da Madeira, ao longo do século XVII e XVIII, para a Inglaterra e as suas colónias, originando um novo período de prosperidade baseado na produção de vinho".

"A partir do início do século XIX a crise volta a instalar-se, com as alterações dos hábitos dos consumidores britânicos, tendo o vinho Madeira deixado de estar na moda, o que levou à substituição parcial da produção da uva pelos cereais e, novamente, pela cana de açúcar e banana".

É também neste século que assistimos aos primórdios da indústria turística. Aproveitando o clima ameno e a localização geográfica, a Madeira passa a ser paragem quase obrigatória para os navios de passageiros que faziam as rotas de África e da Ásia.

No século XX, esta indústria desenvolveu-se significativamente, construindo-se diversos hotéis de excelência e investindo-se na formação em hotelaria, o que levou a Madeira a ser conhecida pela qualidade dos serviços turísticos prestados. A construção do aeroporto e o alargamento do porto permitiram o aumento da capacidade para entrada de turistas, tornando esta indústria na mais importante actividade económica do arquipélago. É também no século XX que se desenvolve a rede viária.

Em 1974 dá-se a revolução dos cravos em Lisboa, que acabou com a ditadura fascista de Salazar e Caetano. Uma das consequências desta revolução foi a criação, em 1976, de duas regiões autónomas: a Madeira e os Açores.

Ambos os arquipélagos passaram a beneficiar de autonomia legislativa e executiva, criando-se um parlamento e governo regionais,eleitos por sufrágio universal, com competências em determinadas matérias. O cargo de Presidente do Governo Regional, ocupado por Miguel Albuquerque a 20 de Abril de 2015

Em 1985, Portugal adere à então Comunidade Económica Europeia, sendo a Madeira e os Açores consideradas regiões ultraperiféricas, à luz das regras comunitárias, o que implicou a vinda de muitos fundos para ultrapassar o défice de desenvolvimento que caracterizava estas regiões.

Deu-se uma verdadeira revolução a nível das infra-estruturas, com a construção de inúmeras estradas, pontes, viadutos, escolas, marinas, portos, alargamento da rede eléctrica à totalidade da ilha, o alargamento da pista do aeroporto e a construção da nova aerogare, com o consequente aumento da capacidade para a entrada de turistas que conduziu, naturalmente, a um incremento das unidades hoteleiras e das infra-estruturas turísticas em geral. Foi a época de ouro da nossa história recente.

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